sexta-feira, 31 de maio de 2013

Crítica: Alice in Chains - The Devil Put Dinosaurs Here [2013]


Eu lembro que quando eu vi a notícia de que o Alice in Chains estava gravando um novo álbum, isso fez com que minha semana se tornasse melhor. Eu queria ouvir o que viria depois do grande Black Gives Way To Blue, de 2009, queria saber se Jerry ainda continuava tão inspirado. E, bom, nem preciso dizer qual a resposta, certo?

À primeira audição de The Devil Put Dinosaurs Here, o que eu logo percebi foi que a banda estava mais influenciada que nunca pelo stoner rock, (isso se pode perceber claramente em "Hollow", faixa de abertura, e no fenomenal single "Stone") lembrando em alguns pontos bandas como Kyuss e até mesmo o Black Label Society. Há uma certa coisa nostálgica no álbum, pois têm alguns riffs que nos remetem ao clássico "Dirt", de 1992, sua obra-prima.

O principal chamativo do álbum são as guitarras e a voz cada vez melhor de Jerry Cantrell (em "Stone" pode-se perceber claramente uma sincronia perfeita entre o riff da música e sua voz, o que a torna melhor ainda). Não há pontos fracos durante o disco, sendo empolgante do início ao fim. Em faixas mais cadenciadas como "Voices", "Scalpel" e "Hung on a Hook", traz novamente aquele clima nostálgico que eu citei anteriormente, pois além de serem faixas maravilhosas, faz com que lembremos dos dois EPs acústicos que a banda lançou nos idos dos anos 90.

Bom, e talvez a pergunta que vocês estão se fazem agora deve ser: "Pera aí, cara. Quer dizer que não há ponto ruim no álbum?", e sim, há sim. Acredito que o ponto ruim que comprometa o álbum o pouco seja a ausência em 90% de William DuVall, um vocalista de alto potencial que praticamente foi deixado de lado nesse álbum.

A qualidade das composições se mantém no mesmo nível, (o que já era de se esperar de Jerry Cantrell, né?) e o álbum é mais longo que seu antecessor, tendo músicas entre 4 e 7 minutos, ou seja, como todo bom álbum de stoner rock, é um disco que deve ser ouvido com calma, para absorver tudo que há nele.

Se o Alice in Chains mantiver o mesmo nível nos próximos álbuns, parece que vai ser marcante tanto nessa década quanto foi na década de 1990.

Nota: 9/10


PS: William e Jerry estão mais estilosos que nunca.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Crítica e indicação de banda: Plastique Noir

Desde a minha descoberta em relação a banda, acho que a tenho ouvido todo dia. Fui ouvi-los faz pouco tempo, embora já os conhecesse há muito. Eu sabia que a banda já era um tanto conhecida por Fortaleza, e sempre tinha ouvido boas críticas em relação a banda, porém nunca tinha parado para ouvir, então eis que uma amiga minha me mandou uma música deles e eu simplesmente não pude acreditar no que estava ouvindo. Minha primeira impressão foi "Uau, essa banda realmente é do Brasil? essa banda é realmente de Fortaleza?", pois em uma cidade onde predomina o "happy rock" no cenário musical independente, achar uma banda de rock gótico que poderia ser facilmente confundida com uma banda britânica da década de 80, - ou seja, na ascensão do gênero - é um tanto surpreendente.

Ouvi o álbum Dead Pop inúmeras vezes e posso dizer que é um álbum maravilhoso e brilhante. O vocalista Airton demonstra muito bom uso da pronúncia da lingua inglesa, uma das coisas que surpreende mais, unido à sua potente voz, em alguns momentos lembrando o consagrado Andrew Eldritch, vocalista do Sisters of Mercy. Importante também ressaltar o baixista, que assume um papel excelente nas músicas, que têm linhas de baixo muito bem trabalhadas e marcantes, fazendo esse um dos elementos de mais destaque no álbum, pois músicas como Imaginary Walls, Phantom In My Stereo, Creepshow, entre outras, falam por si só, pois são canções em que o baixo é um dos atrativos principais.

Acho que músicas que já poderiam ser consideradas clássicos da banda poderiam ser:
Phantom In My Stereo, música em que aletra tem uma temática obscura e gótica, fala sobre alguém ser atormentado pelofantasma de seu amor (queria ressaltar de novo o baixo dessa música, que é uma das minhas linhas preferidas no álbum);
Creepshow, por causa de seu riff marcante e hipnótico e do baixo muito bem construído, e que contém uma letra que retrata os filmes de terror, uma das minhas preferidas;
Killdergarten, creio que seja a música mais pesada do álbum, sua letra fala de uma garota que é controlada pelos pais para virar famosa, e depois de abusar da cocaína e enlouquecer, acaba matando eles/
Those Who Walk By The Night, faz uma referência direta ao vampirismo, e soa como um "hino" da banda;
O álbum tem outras faixas bastante atraentes, como Desire or Disease (que por sinal foi a primeira que eu ouvi, uma das minhas preferidas), IML - que tem uma influência bem clara de filmes de terror, assim como Creepshow -, Shadowrun, entre outras. O álbum não tem música ruim, porém umas faixas chamam mais atenção que outras.

A banda já goza de prestígio fora do Brasil, fazendo parte de algumas coletâneas internacionais, além de terem sidos chamados para tocar no maior festival de rock gótico do mundo, o Wave Gottik Treffen, na Alemanha, porém a banda acabou cancelando pois não tinham dinheiro suficiente para as passagens, coisa que o festival não cobria, e como a banda é independente, ficou inviável para a viagem ser realizada.

Por fim, Plastique Noir é uma banda que tende a crescer cada vez mais, e acredito que seja uma banda que agradará a muitos, não somente aos apreciadores do rock gótico e do pós-punk. Mas, se assim como eu, você é fã do The Cure na fase gótica, Smiths, Sisters of Mercy, e não conhece a banda ainda, não sabe o que tá perdendo, pois é uma banda que pode facilmente representar o Brasil no cenário gótico mundial, sendo realmente um orgulho nacional.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Crítica: Heading For Tomorrow - Gamma Ray

O ano era 1989, Kai Hansen após ter desentendimentos musicais com Michael Weikath decidiu sair do Helloween, o que levou muitos fãs a ficarem preocupados com o futuro direcionamento musical da banda, uma vez que Kai era seu mentor (e considerado também, como muitos devem saber, pai do Power Metal) e fundador. Pouco tempo depois é anunciado um novo projeto musical por parte de Kai Hansen junto com um fã de Judas Priest, oriundo da banda Tyran' Pace, o grandioso Ralf Scheepers, e esse projeto se chamaria Gamma Ray. E a ideia inicial não foi de formar uma banda, mas as gravações de estúdio ficaram tão boas que Kai viu que aquilo realmente teria que se tornar algo mais sério.

Os fãs órfãos do Helloween com a saída de Kai puderam ficar mais calmos quando o primeiro álbum do Gamma Ray foi lançado, o clássico e espetacular Heading for Tomorrow.

Estamos falando aqui da união de um vocalista tão poderoso quanto Michael Kiske, se não mais, se unindo ao pai do Power Metal, e o resultado não podia ser outro. Heading for Tomorrow é como uma continuação do Helloween clássico, eu diria que é um "Keeper of The Seven Keys Pt. 3", para ser mais exato. Este é um álbum que contém muitos clássicos da banda, chega a soar como uma compilação.

"Lust For Live" abre o álbum de forma excelente, mostrando o somente o início do potencial que a dupla Hansen/Scheepers tem, e é um dos grandes sucessos da banda. Sua letra fala sobre "sair da miséria e voltar com tudo", sobre o desejo de crescer, ser mais forte e não ter medo de cada vez mais ter "desejo pela vida". E essa letra faz muito sentido se for levar em conta o que Kai estava passando, saindo do Helloween e começando uma banda nova.
"Heaven Can Wait" também tem uma letra bastante positiva, com um título autoexplicativo, em que Kai fala que o paraíso pode esperar, pois há muitas coisas a se fazer em vida ainda. É outro grande clássico da banda e tem um solo espetacular, diga-se de passagem.
"Space Eater" é a primeira música em que Kai demonstra sua adoração pelo Espaço e pelas coisas além da Terra, eu a considero a precursora de álbuns como "Somewhere Out In Space" e "Power Plant", em que essa temática é muito forte.
"Money" tem uma letra fabulosa e é uma crítica clara ao dinheiro e ao abuso de poder, e como uma pessoa pode se prender a isso de forma doentia. É outro clássico incontestável da banda, e uma das letras mais fortes de Kai Hansen.
"The Silence" é a balada do álbum, e é uma música fabulosa, assim como sua letra, que requer interpretação pessoal de cada ouvinte, na minha opinião. Ralf Scheepers interpreta esta música de forma inexplicável, não precisando provar mais nada a partir daqui.
A partir daí o álbum tem outras músicas muito boas, e como não podia faltar no "Keeper Of The Seven Keys Pt. 3", a música de 14 minutos, a espetacular, estupenda, incrível faixa-título do álbum. É um clássico absoluto, e com certeza a melhor faixa do disco. Fala sobre o direcionamento da sociedade moderna (na época do álbum) e coisas ligadas a isso.

Heading For Tomorrow é um álbum épico, facilmente comparado a fase clássica do Helloween, como dito anteriormente e é, pelo menos para mim, o melhor lançamento da banda,  suas letras continuam recentes até os dias de hoje. A banda só foi melhorando com o passar do tempo, trocando sua formação algumas vezes, mas nunca perdendo a qualidade e se firmando como uma das melhores bandas no cenário do Power Metal.
Nota: 4/5